domingo, 20 de novembro de 2016

A favor de Trump, parte 3

Huffington Post
Durante a guerra civil, a 19 de Novembro de 1863, Abraham Lincoln fez um discurso em Gettysburg que iria ficar para a história. As suas palavras perdurariam e seriam imortalizadas no monumento a Lincoln em Washington. Vale a pena lê-las. 

"Four score and seven years ago our fathers brought forth on this continent, a new nation, conceived in Liberty, and dedicated to the proposition that all men are created equal.

Now we are engaged in a great civil war, testing whether that nation, or any nation so conceived and so dedicated, can long endure. We are met on a great battle-field of that war. We have come to dedicate a portion of that field, as a final resting place for those who here gave their lives that that nation might live. It is altogether fitting and proper that we should do this.

But, in a larger sense, we can not dedicate -- we can not consecrate -- we can not hallow -- this ground. The brave men, living and dead, who struggled here, have consecrated it, far above our poor power to add or detract. The world will little note, nor long remember what we say here, but it can never forget what they did here. It is for us the living, rather, to be dedicated here to the unfinished work which they who fought here have thus far so nobly advanced. It is rather for us to be here dedicated to the great task remaining before us -- that from these honored dead we take increased devotion to that cause for which they gave the last full measure of devotion -- that we here highly resolve that these dead shall not have died in vain -- that this nation, under God, shall have a new birth of freedom -- and that government of the people, by the people, for the people, shall not perish from the earth."

Trump não é Lincoln, dirão. Talvez. Mas Trump também não é, ou parece não querer ser, como os políticos de hoje. Em finais de Outubro, ainda durante a campanha presidencial, Trump fez um discurso em Gettysburg sobre o seu plano para os primeiros 100 dias de presidência. Podem ver o vídeo aqui, e acompanhar com este resumo. Pode discordar-se das medidas, pode não se gostar do estilo, pode repudiar-se a personalidade. Mas uma coisa é inegável: é simples, directo, e claro. 

Trump acaba o seu discurso com as seguintes palavras: "This is my pledge to you. And if we follow these steps, we will once more have a government of, by and for the people. And importantly, we will make America great again, belive me.

Para 61 milhões de eleitores americanos, Trump criou uma imensa esperança, um entusiasmo pela mudança, e uma renovação na crença na democracia, e ISSO é que o levou à presidência. Cá estaremos para ver se ele estará à altura das suas promessas, ou se será mais um elo na longa cadeia de políticos que, depois de eleitos, se servem a eles e não ao seu eleitorado. De uma forma, ou de outra, viveremos tempos interessantes.

R. entregou uma pizza #à incendiário

sábado, 12 de novembro de 2016

Trump... Como? Porquê? E agora?

Desde quarta-feira de manhã, depois de saber os resultados das eleições presidenciais norte-americanas, que busco algum sentido para o que se passou (desde a falha das sondagens – que começa a ser mais uma regra do que uma exceção – ao epicentro deste sismo), tento ver as reações que se multiplicam e procuro as opiniões que projetam as visões pessoais do que aí vem.
Tenho lido artigos, visto vídeos, acompanhado as notícias. E, pelos vistos, terei errado nas fontes que pesquisei. Comecemos pelo que pode estar na origem da eleição de Trump e do tal erro que cometi.
De acordo com este artigo uma das explicações para o que se passou nos EUA, assim como no Reino Unido com o Brexit, assim como se passa na Turquia, assim como se poderá passar no próximo ano na França, assim como se passa um pouco por todo o mundo, é que as pessoas se encerram nos ciclos em que encaixam (vejam o exemplo das redes sociais: de uma forma geral as pessoas a quem estamos ligados são pessoas com quem temos afinidades). E não só nos encerramos nesses círculos como buscamos a informação nos meios, nas páginas, nos sítios que nós consideramos fidedignos e que, de alguma forma, refletem aquilo que nós achamos correto.
Aparentemente esta é uma das razões pelas quais meio mundo (ou mais) ficou atónito com o que se passou no passado dia 8 de novembro. Quem não esperava que o boçal do Trump ganhasse estava seguro disso mesmo porque na sua lógica tal não poderia acontecer e os media e as redes sociais acompanhados/consultados asseguravam esse raciocínio. Estávamos (e estamos) fechados nos nossos mundos e esquecemo-nos que há quem tenha uma perspetiva contrária, quem discorde, que se oponha.
E eis que nos enganamos!
E as sondagens? Essas também se enganaram e talvez tenham sido causa e efeito do seu próprio erro. Quem nos garante a objetividade dos estudos de sondagens? Que garantia temos de que as pessoas que respondem correspondem às que votam? E que garantia temos de que dão as respostas verdadeiras? Aparentemente não temos garantias nesses campos e os exemplos da falibilidade das sondagens acumulam-se (e ainda por cima em casos de dimensão internacional).
Michael Moore, o realizador de Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11 ou, claro, Michael Moore in Trumpland, foi um dos que previu a vitória de Trump. Um dos humanos. Além dele também os criadores dos The Simpsons previram de alguma forma a vitória e com anos de antecedência. Num dos episódios de 2000, Lisa, já adulta, sucede a Trump na presidência de uns EUA falidos!
Mas voltemos a Michael Moore. No seu site o realizador americano apresenta um texto de opinião em que fundamenta a sua predição com cinco pontos que se vieram a revelar corretos. Moore fala sobre:
1.       a aposta de Trump no Rust Belt. Ohio, Michigan, Pennsylvania e Wisconsin, estados tradicionalmente mais azuis (todos penderam para Obama em 2012) seriam forte aposta de Trump, na procura de conquistar os insatisfeitos trabalhadores da faixa industrial. E que o magnata conquistou os quatro estados!
2.       o grito do Ipiranga dado pelo Homem Branco de Meia Idade e Colarinho Azul, Formação Reduzida e Religiosidade Acentuada.
3.       a falta de popularidade de Hillary. Uma personagem pouco cativante, com o nome manchado pela história explorada até à exaustão dos e-mails e oriunda do mundo da política (aquilo que poderia passar por um trunfo era, afinal, um calcanhar de Aquiles).
4.       os democratas desanimados Pro-Sanders. Uma parte destes não teve estômago para ir votar em Hillary. Outros resolveram votar em Jill Stein. E os que foram votar em Hillary não tiveram a capacidade de contagiar e arrebanhar outros eleitores.
5.       o curioso efeito a que chamou Jesse Ventura Effect (em referência à eleição, há uns anos atrás, de um wrestler para Governador do Minnesota). Este efeito refere-se àquela atração pelo abismo que às vezes sentimos quando estamos na beirinha de um penhasco. Vamos lá a admitir (eu pelos faço-o)… uma parte mais negra de nós não deixou de sentir alguma curiosidade quanto à possibilidade de ver o pateta do Trump no poder. O que acontece é que algumas pessoas resistem a essa curiosidade. E outras não!
E assim, sem estarmos preparados para tal, temos um Trump presidente!
E agora? Bem… o futuro parece assustador, não é?
Trump já nos mostrou a sua fraca capacidade de encaixe, o seu ego inchado, a sua impreparação. Durante a campanha das primárias foi… bem… primário. Na campanha das presidenciais pareceu tentar controlar-se mas sem, contudo, deixar de dizer alarvidades. E o mínimo aperto ou confrontação levou-o a descontrolar-se, irascível e infantil ao mesmo tempo.
No discurso de tomada de posse teve a postura mais branda que lhe vi até então. E no momento em que foi recebido na Casa Branca por um Barack Obama ao mesmo tempo polido e atónito comportou-se como seria espectável naquelas circunstâncias e com aquelas personagens. Mas bastaram as primeiras (quanto a mim inconsequentes e em breve terminadas) manifestações de desagrado para o homem dar ao dedo no Twitter! Não pode ser Senhor Presidente dos Estados Unidos da América!
Donald Trump é um homem imprevisível que agora ocupa um lugar que não permite tal traço de personalidade. E vai ter, seguramente, um partido, um Congresso e um Senado que, apesar da sua cor, lhe toldarão e moldarão alguns passos. Mas aí Trump corre o risco de não corresponder ao seu eleitorado, o que será, a meu ver, um tópico muito delicado de gerir. Como reagirá a massa que elegeu Trump com vontade de dar uma abanadela ao sistema quando perceber que afinal será mais do mesmo?
A entourage formada em redor de Trump consegue ser tão ou mais assustadora que o próprio. Nomes como Sessions, Palin, Priebus, Gingrich, Christie, Juliani e, claro, Pence, não auguram nada de bom e por isso, em parte vamos ter de confiar no próprio Partido Republicano para controlar os seus! Pode acabar por acontecer que o partido se… parta e estas eleições sejam a pior coisa que já aconteceu ao GOP e a melhor (depois de uma lavagem que deve seguir-se a estas eleições) que se passou com o Partido Democrata (quem sabe se Sanders volta em 2020!)!
Pelo mundo fora a expectativa acumula-se e a incerteza também. Desde perspetivas que apontam no sentido de os EUA podem ter visto a democracia morrer por ser precisamente demasiado democrática, até àquelas que preveem que a vaga iniciada com o Brexit e consolidada com Trump se alargue à Europa tendo como potenciais consequências conflitos armados nucleares.
A verdade é que os próximos tempos e em particular os primeiros 100 dias da governação de Trump deverão esclarecer-nos sobre o que aí vem, sobre o que se passará nos EUA, sobre a dimensão das ondas que se vão propagar pelo mundo inteiro.

No entretanto, e para acabar onde comecei, volto ao artigo que recorda os ciclos da história para concordar com a opinião do autor. Se calhar está na hora de estabelecer ligações entre as redomas e não de as tornas mais espessas e opacas. Para bem de todos.

J. entregou uma pizza #à coçador

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

As lições de Trump

cbc.news
Confirmou-se a grande surpresa: Donald Trump é o presidente eleito dos EUA. Os media, os opinion makers, a vox populi, todos erraram. De uma forma, ou de outra, fez-se história. Que conclusões podemos nós retirar de tudo o que aconteceu?

1. Em termos práticos, os resultados eleitorais são inegáveis. Dada a natureza do sistema eleitoral americano, Trump nem precisou de ter mais votos a nível nacional. Mas ganhou nos estados onde era suposto ganhar, e, principalmente, ganhou nos estados indecisos mas decisivos, tais como Florida, Ohio ou Carolina do Norte, e até em alguns estados que eram democratas há décadas, tal como no Wisconsin (“azul” desde 1988). Regra geral, Clinton ganhou apenas nas costas oeste e nordeste, urbanas, populosas e cosmopolitas. Nos estados indecisos, Clinton ganhou apenas nas principais cidades, perdendo no cômputo geral. Mas o resto do mapa eleitoral acabou pintado de vermelho, ditando o destino de Trump e Clinton. Finalmente, o processo eleitoral e democrático decorreu sem falhas e sem qualquer indício de fraude (hipótese aliás levantada por Trump).
business insider

2. Em termos de personalidade do candidato, há quem classifique Trump como “fascista” e uma ameaça real à democracia e à estabilidade mundial. Este receio, no entanto, é, no mínimo exagerado e prematuro. Durante o longo caminho de campanha (Trump anunciou a sua candidatura em Agosto de 2015), Trump revelou-se tão democrata como qualquer outro candidato, respeitando a orgânica do sistema e os processos em vigor. Demonstrou um estilo pessoal “fora da caixa”, uma vez que se apresentou como sendo um não-político, vindo de fora do “sistema”, mas a verdade é, com excepção de “bocas” lançadas a adversários que roçaram o mau gosto, actuou (do ponto de vista formal e político) durante toda a campanha de forma semelhante a Clinton. Até agora, nada, absolutamente nada, nos indica objectivamente que Trump é uma ameaça ao regime democrático. Claro está que, como em relação a qualquer outro presidente eleito, o eleitorado deve estar atento a “comportamentos desviantes” (políticos), de forma a evitar a desvirtuação do sistema democrático. Mas, repito, isso aplica-se a qualquer vencedor das presidenciais.

3. Ainda a este respeito, deve-se acrescentar a própria natureza do sistema político americano, com base nos “checks and balances” dos diferentes ramos do sistema democrático. O Presidente representa o ramo executivo (que aplica as leis) mas é vigiado, aconselhado, por vezes apoiado, mas também confrontado, pelos ramos judicial (que interpreta as leis) e legislativo (que redige as leis). O sistema foi pensado de forma que nenhum ramo tivesse o poder absoluto e tem funcionado bem até agora. Mas também é verdade que Trump é eleito com uma maioria no Senado, no Congresso, e no Supremo Tribunal de Justiça. Mas, nos EUA, a maioria do mesmo partido não significa uma obediência cega do poder legislativo ao poder executivo, como acontece, por exemplo, em Portugal (em que os deputados se limitam a acenar com a cabeça às iniciativas do Governo). E, em 2018, sempre há novas eleições para o Congresso. 

4. O principal ponto a favor de Trump foi apresentar-se como um agente de mudança, o candidato contra o status quo, medindo forças com Clinton, figura máxima do “establishment” americano. Até que ponto irá ele satisfazer os seus eleitores e ser, realmente, diferente daqueles que o precederam, eis a questão. Mas é sempre esta a questão, quando se fala de um candidato recentemente eleito. Irá desiludir, não cumprindo o que prometeu? No caso de Trump, rios de tinta correram nos media sobre algumas declarações de Trump, nomeadamente no que se refere à emigração. Mas, enquanto a maioria dos políticos altera o seu discurso depois da eleição, Trump foi-o fazendo ainda durante a campanha eleitoral! Na realidade, Trump apresentou duas faces bem diferentes, uma mais radical durante a campanha das primárias republicanas (onde enfrentava candidatos igualmente radicais) e durante a campanha contra Clinton, onde se revelou muito mais contido, em particular nos debates televisivos, onde teve uma postura e desempenho muito semelhantes a Clinton. Trump “candidatável” não foi o mesmo de Trump presidenciável, e certamente não será o mesmo de Trump presidente. O discurso de Trump na noite da eleição já foi bem diferente no tom e na substância, em particular no que toca à sua adversária. Antes, acusava Clinton de corrupta e ameaçava-a de prisão. Agora, elogia e agradece o trabalho árduo e longo que Clinton fez ao serviço do país. Ou seja, parece ser muito mais provável que Trump desiluda os seus eleitores do que se revele tão radical como presidente quanto o foi nos seus primeiros tempos de candidato nas primárias do Partido Republicano.

en.wikipedia.org
5. Last but not least, a eleição de Trump revela que a América não é aquilo que os europeus querem que seja; não é aquilo que os comentadores políticos dizem que é; não corresponde à imagem que os meios de comunicação fabricam. Grande parte do eleitorado americano é nacionalista, isolacionista, racista, pouco (ou nada) preocupado com os problemas do ambiente, com crenças religiosas fortes (alguns criacionistas), e crente no papel especial do seu país aos olhos de Deus. Para o eleitorado que o elegeu, Trump personifica estes ideais. E, acima de tudo, Trump simboliza o sonho americano, mesmo nascendo num berço de ouro, um homem do topo que soube relacionar-se com trabalhadores, participou em filmes, foi responsável por um reality show de sucesso. E se, como escreveu Shakespeare, o mundo é um palco, ou como disse Chaplin, a vida é uma peça de teatro, então Trump é um actor e uma personagem que soube conquistar o seu público. Mas esta peça não permite ensaios, restando descobrir se as cortinas se fecharão com aplausos ou assobios. 
R. entregou uma pizza #à amigo secreto

sábado, 5 de novembro de 2016

Clinton vs. Trump, ou a essência da América nas mesas de voto

CNN.com
A poucos dias das eleições americanas, as sondagens multiplicam-se, aparentando um estreitamento da vantagem de Clinton. Mas o que passa para o grande público são, normalmente, percentagens nacionais. Ora, no sistema americano, em que cada candidato disputa estado a estado, sendo que o vencedor ganha a totalidade dos seus representantes para o colégio eleitoral que irá eleger formalmente o próximo Presidente.
Sendo assim, é até possível um candidato ganhar as eleições sem com menor percentagem nacional, bastando para isso ganhar em alguns estados decisivos.
learningenglish.voanews.com
Neste site é possível consultar os resultados eleitorais desde 1964 até às eleições de 2012. Por exemplo, em 2000, George Bush Jr. obteve os 271 votos eleitorais mas teve menos votos reais a nível nacional, com uma diferença superior a 400.000 votos.
Desde a eleição de Bill Clinton em 1992, o mapa eleitoral foi mudando mas a sua essência mantém-se. Não existe uma só América; nem a América é aquilo que nós queremos, ou imaginamos, que ela seja. Existe uma América cosmopolita de Nova Iorque, Los Angeles e Chicago, mas também existe uma América "profunda" do Wyoming, Montana, New Mexico ou Utah. Nas últimas décadas, os Democratas vencem normalmente nos estados urbanos, da costa leste e oeste. Os republicanos vencem na América rural.
As últimas sondagens dão uma diferença nacional estreita, mas na realidade o resultado das eleições irá decidir-se em meia dúzia de estados decisivos, nomeadamente Ohio, Pennsylvania, Florida, ou North Carolina, pois é ali onde existe maior indecisão, e são estados com um número considerável de votos eleitorais. E é aqui que as "minorias" entram em acção, pois são elas que podem alterar o fiel da balança. À partida, Trump está em desvantagem, mas a margem de votos indecisos pode dar uma vitória muito magra a Clinton. Será que Trump pode ainda surpreender tudo e todos?
NBC News
A Moody's revelou um estudo, não uma sondagem, baseada em factores políticos e económicos, que prevê uma vitória de Clinton por uma larga margem. O estudo não prevê a influência da personalidade dos candidatos e dos escândalos a eles associados, logo poderá estar longe dos resultados. Mas será interessante comparar com o que irá acontecer na realidade.

Moody's Analytics
Os dados estão lançados. Na Terça-Feira veremos que América estará mais forte. O resto será história.

R. entregou uma pizza #à centrão bipolar

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Um apontamento sobre o documentário "Before the flood"

Fotografia: The Guardian
Algumas considerações a propósito do documentário da National Geographic "Before the Flood" que estreou ontem.
 
1. Um documentário destes não pode ter erros científicos básicos, como confundir metros com pés (o que dá diferenças de 1/3 nas taxas de degelo glaciar) ou colocar o número de átomos das fórmulas químicas em expoente. Estes erros descredibilizam a informação científica apresentada...
 
2. O documentário é interessante mas não acrescenta nada à discussão. As alterações climáticas são factos comprovados. O que se devia discutir era o contributo do Homem para essas alterações climáticas. Essa discussão não é feita porque até agora nunca foi possível contabilizar. Isto tem que ser dito, quando se discute esta temática.
 
3. Gostei da forma como a temática foi abordada em termos políticos mas também aí foi muito redutor. O grande contributo, a meu ver, foi dado para senhora indiana (perdoem-me que já não me lembro quem era) que conseguiu colocar as questões certas.
 
4. O grande trunfo deste documentário foi abordar temáticas que necessitam urgentemente de respostas, como os refugiados ambientais, a falta de água e alimento para uma população crescente ou a forma como os governos devem gerir as alterações do nível médio das águas do mar. Ainda assim, um documentário promovido pela ONU deveria ter dado um maior enfoque aos refugiados ambientais que já são aos milhares no planeta Terra. Bangladesh, Kiribati, Maldivas, Tuvalu já estão a desaparecer...
 
5. A questão dos lóbis das petrolíferas foi bem mostrado (embora houvesse ainda muito mais para se dizer) mas faltou falar também dos lóbis das energias renováveis. Nesta temática não há inocentes daí que seja um tema tão político e cada vez menos científico (o que é uma pena porque saímos todos a perder).
 
6. O documentário não acrescenta grande informação, já que há outros bem mais completos como "Os seis graus que podem mudar o mundo" (sobre os impactos no clima e nas populações das alterações climáticas), "Ouro Azul" (sobre a falta de água no planeta e o controle económico e político destes recursos) ou o "Home" (sobre a transformação do planeta Terra desde que o Homem começou a libertar para a atmosfera quantidades absurdas de carbono, decorrentes da queima de combustíveis fósseis).
 
CONCLUSÃO: Ainda assim considero que o filme é um bom documentário e que merece, e deve, ser visto por todos, já que as Alterações Climáticas são inegáveis. Há praticamente unanimidade na comunidade científica em aceitar que o clima está a mudar. Ainda que o contributo humano não possa ser medido, e não se consiga estabelecer correlação entre uma coisa e outra (por falta de valores e parâmetros num passado geológico), é muito provável que o Homem tenha um papel determinante nesta equação. Com ou sem certezas do contributo humano, compete ao Homem fazer o possível para minimizar o seu efeito no planeta. E, acima de tudo, compete ao Homem, dotado de inteligência e consciência, cuidar da casa que habita, limpando-a e tornando-a sustentável, sabendo que a Terra é a nossa única casa. 

 

Para quem quiser ver o filme na íntegra, a National Geographic disponibilizou o filme completo no You Tube. Aqui fica o filme.

 

 
C. entregou uma pizza #à centrão bipolar 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A favor de Trump, parte 2

ABC News
Desde que Trump, surpreendentemente para muitos, conseguiu a nomeação republicana para a corrida à Presidência dos EUA, a principal tese avançada pelos órgãos de comunicação e pelos opinion makers, nacionais e internacionais, é que Trump não tem qualidades pessoais para ser líder da (ainda) maior potência mundial. Está mal preparado, não tem experiência suficiente, não tem conhecimento dos assuntos de Estado, e defende ideias que são uma ameaça à estabilidade dos EUA e do mundo. No entanto, no último mês, foi possível ver que a realidade não é bem como a pintam.
Nos passados dias 26 de Setembro, 9 de Outubro e 19 de Outubro, os dois candidatos enfrentaram-se em debates a dois. Na verdade, o formato dos debates presidenciais americanos dá pouco espaço ao confronto, privilegiando a resposta de cada um dos candidatos, no seu tempo, e negligenciando o debate propriamente dito. A este respeito, Trump pareceu, no mínimo, tão seguro quanto Clinton. Ambos atacaram os pontos fracos do seu oponente. Tanto um, como outro, demonstraram ter assuntos cuja discussão os põe desconfortáveis, levando-os a fugir a respostas directas, e desviando o debate para outras matérias. Repito, ambos. De um lado, acusações de abuso sexual; do outro, indícios de corrupção na Fundação Clinton e de má conduta política na questão dos e-mails confidenciais.
É verdade que os debates políticos tradicionalmente não se baseiam numa análise detalhada ou aprofundada da realidade e do programa dos candidatos, mas ambos os candidatos não pareceram querer mudar isso. Nos três debates, Trump conseguiu dizer tantas generalidades e superficialidades quanto Clinton, aparentando ter o mesmo grau de preparação no que toca aos grande tópicos em discussão. Quanto ao passado, Clinton acusa Trump de falta de experiência; Trump diz que Clinton tem muitos anos de experiência governativa, mas comprovadamente má experiência.
Mas mais importante ainda, todas as opiniões de Trump expressas nos debates são tão credíveis quanto as de Clinton, sendo que muitas delas seriam, na realidade, defendidas por líderes europeus do centro-direita. Diferem na perspectiva de abordagem dos problemas, mas são igualmente verosímeis quanto as de Clinton. Senão vejamos, concentrando-nos no último debate.
Trump defende o direito ao porte de arma por parte de todos os cidadãos, algo constitucionalmente previsto na 2ª emenda à Constituição dos EUA. Clinton defende restrições severas ao porte de armas. Trump é “pró-vida”, contra a prática de aborto; Clinton defende a escolha da mulher. Ambos prometem que nomearão Juízes para o Supremo Tribunal partidários das suas ideias.
Trump defende a deportação de emigrantes ilegais condenados na justiça americana e procedimentos muito mais restringentes à entrada no país, nomeadamente a construção de um muro na fronteira com o México; Clinton apoia fronteiras mais flexíveis.
No panorama internacional, Clinton tem uma clara atitude de confronto com a Rússia, em particular com Putin, enquanto Trump defende uma estratégia de concertação entre as duas grandes potências. Clinton defende a manutenção das estruturas da NATO e dos acordos internacionais; Trump advoga uma reestruturação destas organizações, defendendo que os restantes países devem contribuir mais do que aquilo que têm feito até agora.
Em relação à situação político-militar no Médio Oriente, particularmente na Síria, Clinton será, como Presidente, uma seguidora da doutrina oficial das últimas décadas, no caso, apoiando forças rebeldes na Síria (incluindo forças turcas e curdas) contra Assad, de forma a promover a mudança de regime, estratégia que esteve precisamente na origem da guerra civil que dura há cinco anos. Trump defende prioritariamente o combate ao Daesh, com o apoio da Rússia e do regime de Assad, e o fim do apoio aos rebeldes, uma vez que muitos serão tão radicais como o intitulado Estado Islâmico.
Quanto à economia, Trump defende uma menor intervenção do Estado e a baixa de impostos para os mais ricos, de forma a promover a criação de empresas e emprego; Clinton defende o contrário, taxando as corporações e os mais abastados. Trump propõe substituir o plano de saúde ObamaCare, questionando a sua sustentabilidade financeira. Clinton defende o oposto.
Finalmente, uma questão que se tem levantado ultimamente é a aceitação, ou não, dos resultados eleitorais por parte de Trump (na hipótese de ele perder, claro). Para Clinton, contestar resultados eleitorais é uma ameaça à democracia; para Trump, faz parte do processo democrático (não foi Al Gore, vice-presidente de Bill Clinton, que contestou o resultado das eleições de 2000?).
Na sua intervenção no segmento final do debate, Clinton quase disse, letra por letra, o slogan de Trump, make America great again. Lá no fundo, talvez eles não sejam assim tão diferentes. Ambos querem o mesmo, mas propõem caminhos diferentes.
A verdade é que, nos três debates, Trump demonstrou não ser o radical que se pensava e não ser, de todo, uma ameaça ao regime democrático. Ele é fruto desse mesmo regime. Ele só conseguiu chegar tão longe porque os eleitores e a estrutura do Partido Republicano assim o quiseram. Porque muitos americanos revêem-se nas suas posições; porque muitos meios de comunicação gostam do seu estilo; porque muitas pessoas o vêem como modelo do self made man do sonho americano. Razões válidas e democráticas.
Se Trump perder, ainda assim conseguiu algo muito importante. Nunca, nos últimos 50 anos, tantos americanos se recensearam, e tantos outros se envolveram civicamente na política. E talvez esses mesmos eleitores possam exigir e controlar o que Clinton fará daqui para a frente. Se Trump ganhar, o clima de mudança política será o equivalente aos turbulentos anos 60 do século passado. E sempre que os EUA passaram por uma época de sobressalto, a história ensina-nos que saíram sempre melhores do que antes. A independência após a guerra com a Inglaterra, o fim da escravatura após a guerra civil, o avanço económico, tecnológico e militar após a 2ª guerra mundial, a aparente hegemonia mundial após a queda do Muro de Berlim e o 11 de Setembro. Pode ser que, afinal, o fenómeno Trump possa vir a transformar-se numa bênção para a democracia americana.


R. entregou uma pizza #à anon&mato #à coçador

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Entrevista histórica a Adolf Hitler

rarehistoricalphotos.com
O “Eu só vim entregar uma Pizza” conseguiu aquele que é, provavelmente, o furo jornalístico do século. Através dos serviços de uma fonte anónima, mas omnipotente, e numa oportunidade única da história do jornalismo e da análise política, pudemos entrevistar Adolf Hitler, a quem foi dada a oportunidade de voltar à vida, passear incógnito pelo mundo, e inteirar-se da actualidade e do que se passou nos mais de 70 anos após a sua morte. E Hitler parece satisfeito com o que viu pelo mundo.
Na nossa entrevista, a única restrição imposta pelo entrevistado foi que as perguntas só poderiam versar sobre o pós-1945, sem excepção. O que se segue é uma transcrição das perguntas do jornalista (chamemos-lhe R.) e as respostas de Hitler (H.). O itálico é nosso, usado para realçar o que nos parece de maior importância.
R.: Antes de mais, obrigado por ter aceitado o nosso convite.
H.: Quem agradece sou eu, uma vez que aprecio a oportunidade que me foi dada, e tenho todo o gosto em partilhar com os seus leitores a minha visão do mundo, e do que aconteceu tanto tempo depois de eu me ter ausentado.
R.: Sei que não responderá a perguntas relativamente ao que se passou durante o seu período de vida, mas não posso deixar de o questionar acerca do momento da sua morte, e das circunstâncias que o rodearam…
H.: Atire à vontade.
R.: Optou pela fuga do suicídio e não assumiu as consequências das acções do seu regime. Porquê?
H.: O suícido não foi uma fuga. Foi um acto de coragem, e o culminar natural de um percurso de vida que acabou em circunstâncias trágicas. Não conseguiria testemunhar a invasão e destruição da minha pátria pelos bárbaros bolcheviques. Foi extremamente doloroso morrer naquelas circunstâncias, com o Exército Vermelho às portas do Reichtag, e sabendo que a Alemanha seria submetida a mais uma humilhação. Todo o cidadão alemão teve a oportunidade de fazer o mesmo que eu; poucos amaram a pátria como eu.
R.: Em relação à humilhação sofrida, quer dizer então que reconhece que fez mal à sua pátria? A Alemanha sem Hitler estaria melhor?
H.: Eu já o sabia no meu íntimo, mas com base no que sei hoje posso responder-lhe sem qualquer dúvida que a grande Alemanha estaria hoje muito pior se eu não tivesse existido.
R.: O que quer dizer com isso?
H.: É certo que passamos por maus momentos imediatamente após o término da guerra. Mas rapidamente a pátria soube reerguer-se com um novo alento e coragem, que se devem, em não pouca medida, ao fortalecimento da alma do povo, resultante do esforço feito durante o regime do Nacional-Socialismo. Foi uma tristeza profunda saber que a Alemanha foi novamente dividida, incluindo a nossa capital, mas o futuro veio mostrar que somos mesmo mais fortes e que tínhamos razão em tudo o que fizemos.
R.: Mas as suas escolhas levaram à destruição do seu país e à morte e sofrimento do seu próprio povo…
H.: Isso é uma visão mesquinha e redutora da história, da qual só os fracos partilham. Sem destruição, não pode haver a construção de algo novo e grandioso, e sem sofrimento, não há reconhecimento do valor daquilo que se construiu. A Alemanha está novamente reunificada, e a sua área de influência económica é, atrever-me-ia a dizer, maior do que aquela que nós atingimos no nosso período áureo.
R.: Quer dizer que está satisfeito com o que aconteceu após a sua morte?
H.: De uma forma geral, sim. Há alguns contratempos que continuam por resolver, mas regra geral, acredito que os acontecimentos mundiais vieram reivindicar a nossa visão do mundo. A Europa foi unificada sob o poder económico da Alemanha, a podridão do regime bolchevique levou ao seu colapso, os nossos aliados no Extremo-Oriente sofreram às mãos dos americanos, mas mostraram que são fortes e continuam a ser uma potência mundial.
R.: Concorda então com a edificação da U.E.?
H.: Claro! Sou um federalista convicto… O futuro terá de passar por um governo europeu, com uma moeda europeia, mas também com orçamento europeu,e com capital em Berlim, claro. E uma nova expansão a leste, já agora…
R.: E fazer frente a Putin?
H.: Putin quer ressuscitar aquilo que já está morto e enterrado. Mas é preciso controlá-lo e garantir que a Rússia envereda finalmente por um regime democrático.
R.: Descobriu as virtudes da democracia?
H.: Nunca duvidei delas… Esquece-se que fui eleito democraticamente? Claro que, em circunstâncias extraordinárias, são necessárias medidas extraordinárias. Eu disse aos eleitores que se me elegessem eu acabaria com todos os outros partidos políticos. Nunca menti ao eleitorado.
R.: E os E.U.A.?
H.: Se nós tivéssemos subjugado os bolcheviques, o período da Guerra Fria teria sido muito semelhante, excepto que ainda estaríamos cá a fazer frente aos americanos,ou seja, o mundo estaria muito mais seguro connosco! Mas sempre soube que a Alemanha teria de conviver com os americanos… Eles até ficaram com os nossos melhores elementos! O Von Braun é que os levou à Lua, não foi? E o 11 de Setembro tem um cheirinho de incêndio no Reichtag, não lhe parece?... (risos) Mas os E.U.A. estão em declínio, embora não pareça. A sua força depende essencialmente do seu poderio militar, herdado do final da Guerra com o Eixo. Mas o seu sangue está podre, com a infiltração judaica e mistura de raças latina e africana, e a sua economia vai definhar lentamente.
R.: Como vê a ascensão da China?
H.: É mais uma demonstração que o Mundo estaria melhor se tivéssemos ganho a guerra! O Japão teria dominado os chinocas e hoje não teríamos o problema da política expansionista de Pequim, para mais baseada num capitalismo travestido de comunismo… Ou ao contrário, ainda não percebi muito bem o que eles andam a fazer por aquelas bandas.
R.: Referiu alguns contratempos históricos… Um deles será certamente a formação do Estado judaico. Como encara a sobrevivência de Israel e o seu estabelecimento como potência regional?
H.: Com tranquilidade. Nós chegamos a ponderar a hipótese de deportação dos judeus para um novo território, mas na altura não existiam condições políticas para a formação de um estado judaico. Eu queria-os fora da Alemanha; consegui-o. Agora, as suas maquinações continuam diabólicas como sempre. A desestabilização do Médio Oriente e a crescente ameaça do terrorismo islâmico têm a mão dos judeus e do lobby judaico americano...
R.: Considera o terrorismo a maior ameaça ao mundo ocidental?
H.: Sim, mas não aquele que está a pensar… O pior é o terrorismo financeiro! É o que dá os judeus controlarem a banca americana… Um dia alguém terá de os enfrentar. Só espero ter a oportunidade de testemunhar isso!
R.: As regras existem para serem quebradas, por isso pergunto-lhe, por último, se se arrepende de algo na sua vida?
H.: Devia ter apertado com aquele desgraçado do Heisenberg… O traidor do físico andou a fazer de conta que trabalhava durante anos e minou os nossos esforços para desenvolver uma arma que poderia decidir o futuro da guerra. Eu sabia que ele era muito amigo do judeu do Bohr, mas sempre pensei que amasse mais a Alemanha… Se não fosse ele, tínhamos chegado à bomba atómica antes dos americanos! E o futuro teria sido diferente. SIEG HEIL! 
R. entregou uma pizza #àforçasdemoníacas
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